COMPANHIA PROFISSIONAL DE TEATRO & CENTRO FORMATIVO DE ARTES DRAMÁTICAS

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TEATRO PRECISA-SE! E CASA TAMBÉM!...

O Teatro da Rainha é, de há muito, um sem abrigo!

Vadio, tem andado de terra em terra, inventando refúgios em sítios não convencionais, sótãos de águas furtadas, ocupando praças e ruas e também, nos dias em que o Rei faz anos, com convites para estadias e residências em salas de ouro e veludo vermelho (teatros lhe chamam), usurpadas as mais das vezes por uma casta parasitária de programadores, os quais não sendo, por nenhum lado, artistas, dão-se no entanto com eles, o que fica sempre bem e até confere um certo «chic», desde que a esses doidivanas dos criativos não se lhes dê muita confiança, bem entendido, sendo os ditos cujos, como é de geral conhecimento, cães que não conhecem o dono, mais prontos a mostrar o dente do que a lamber mãos que trazem trela e açaime.…
Depois de tantos anos como o caracol, de frágil casca às costas no rasto do sol, queremos agora montar tenda de pau-a-pique, quanto mais não seja pela vocação intuída de armar barraca. Um tecto que nos acoite. Precisamos de uma casa a que possamos chamar nossa para assim ser também a vossa, do Público e ao seu serviço, de portas franqueadas, sede fraterna da alegria na utopia necessária, território fértil da imaginação poética, um espaço regular para assembleias de debate e reflexão crítica, um local de formação qualificada, um instrumento partilhado de aprofundamento da relação de afectos entre o teatro e os seus espectadores; Propomos-vos um enamoramento, um desafio de fidelidade continuada feita de efémeros momentos, Amor eterno (enquanto durar), enfim, um caso sério!
Já falta pouco: há vontade, há terreno, há um compromisso da Autarquia que garante a maior parte do financiamento, há projecto de Arquitectura (e um belo projecto, diga-se, com maqueta e tudo, da autoria do Nuno Lopes, nosso companheiro de muitas andanças e com obra firmada e de referência, que se nos puséssemos agora a descrevê-la e a gabá-la nunca mais daqui saíamos), há uma declaração oficial que confere ao projecto a condição de «superior interesse cultural», há equipamento, há quase tudo! Falta um quase-nada: 200 mil €uros, para as especialidades técnicas e 2ª fase de construção, o que não sendo muito, ainda é alguma coisa.
Perguntarão os desconfiados: então e os dinheiros europeus? Não resolvem? Respondemos que sim, assim deveria ser. Mas ao fim de 8 anos-8 dum calvário de ofícios e reuniões que até envolveram Ministros e Secretários de Estado de 4 Governos-4, chegou-se à conclusão daquilo que já se suspeitava: a taxa de execução é muito baixa, há rubricas que estão desprovidas de fundos e que não se sabe se alguma vez os voltarão a ter, não há dinheiro para as comparticipações nacionais, etc. Resumindo: fazer fé na viabilidade destes recursos é acreditar no Pai Natal e crer em histórias de embalar para ingénuos e incautos…
Estamos pois a pensar em lançar um conjunto de iniciativas de solidariedade com o Teatro da Rainha – concertos, leilões de arte, edições & o que mais se verá!
E é aqui que Vocês entram, querido Publicozinho: É sabido que nesta vida não se pode passar sem os amigos. E que no Teatro não se pode prescindir do Público. O Teatro sem público é impossível. Uma vida sem amigos é insuportável! Vai daí que estamos como o Pacheco, a tantos do tal, nesta «Caldas-sur-Merdre» - Necessitamos desvairadamente de amigalhaços de «cemzes», compinchas de quinhentos, compadres de «miles»!
Aceitamos de tudo, inclusive mais palmadinhas nas costas, vejam lá, (só de porrada e mau viver andaremos moídos), porque de tudo precisamos, faz favor:
Sorrisos (até amarelos), mimo (fora do prazo de validade, serve na mesma), colo, compreensão (alguma), paciência (muita), mecenas (isso!), prendas, prebendas, presentes e lembranças, donativos em géneros e em espécie, moedinhas (notas, cheques e transferências bancárias, já agora), boas intenções (mesmo das que enchem o Inferno), acções (as concretas e das outras, em papel), tenças, benefícios e estipêndios, rebuçados, caramelos, chupa-chupas, bombons e confeitos de sortido fino, sombra e água fresca, presunção e água benta (cada um toma a que quer), línguas de sogra, espantalhos e manequins, santinhos e promessas em cera, esticadores para colarinhos, alfinetes de dama, tarecos e trastes velhos, trapos e roupinha usada, senhas de gasóleo, talões de desconto, cupões de refeição, sopinhas quentes e de cavalo cansado, copos de três para afogar as mágoas, qualquer coisinha p’ró pão por Deus, bolinhos, bolinhós para vós e para nós!...
E p’ráqui vimos de mão esticada em rogo de esmola, canalha de cómicos indigentes a exibir despudoradamente as mazelas da penúria. Pela vossa rica saudinha cheguem-se pois p’rá frente, (não é preciso empurrar), vá, abençoados sejam, que em dobro receberão, pela oportunidade fruída de ficarem bem na fotografia a fazer rir de contente Dona Caridade (marafona muito boazinha, não desfazendo), sossegar ao espelho a máscara circunspecta da virtuosa consciência cidadã (matrona respeitabilíssima) e ainda pelos ensejos futuros de gozo acrescido e fígado desopilado; (pobrezinhos mas honrados, prometemos não gastar nada em vinho, podem ficar descansados). Bem hajam, bem ajam!

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