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Ficha Artística

Tradução | Isabel Lopes
Encenação | Fernando Mora Ramos e Isabel Lopes
Dramaturgia e assistência de encenação | Isabel Lopes
Iluminação | João Carlos Marques
Interpretação | Victor Santos

Em «A última bobina», peça escrita em 1956 e geralmente considerada como a que assume um carácter auto-biográfico mais marcado, uma invenção tecnológica recentíssima na época, o magnetofone, permite a Krapp um estranho diálogo com a sua voz gravada.
Acantonado no seu tugúrio, Krapp foi perdendo contacto com o mundo. Ao longo dos anos, colecciona bobinas em que faz o balanço anual da sua vida. Esse passado que a voz gravada lhe devolve nem sempre suscita neste homem próximo do fim um processo de identificação. Se por vezes as memórias convocadas pela voz de outrora se reavivam, momentos há em que a estranheza e a rejeição são totais. A própria manipulação do magnetofone transforma o aparelho num interlocutor com quem Krapp estabelece um diálogo e a quem corta violentamente a palavra.
Mesmo a linguagem se torna estranha e separada do real quando devolvida pela banda magnética. Palavras tão comuns como «viúva» produzem em Krapp uma grande estranheza e a necessidade de recorrer a um diccionário.
Um único fragmento desse passado é agora objecto do seu interesse, o adeus ao amor, o momento em que recusa a mulher amada para se dedicar à escrita e, ainda assim, apenas para reconhecer a vanidade do seu projecto literário.