Exposição de fotografias do espectáculo A PAZ, de Aristófanes, pelos fotógrafos José Serrão, Margarida Araújo, Pedro Bernardo e Lina Cruz e de EUROPA 39, de Bertolt Brecht, por Valter Vinagre

Na terceira terça-feira do mês de Junho, dia 19, aquando da 6ª sessão de Diga 33, Poesia no Teatro, às terças terças-feiras de cada mês, com a presença de Miguel de Carvalho, (autor, livreiro antiquário, editor na Debout Sur L’Oeuf), o Teatro da Rainha inaugura – em simultâneo com a sessão com o poeta – na sua Sala Estúdio, uma exposição de fotografias relativas à sua última criação, A Paz, de Aristófanes, apresentada em Caldas da Rainha, nas Festas da Cidade, no passado mês de Maio.
Os fotógrafos da Paz são: José Serrão, Margarida Araújo, Pedro Bernardo e Lina Cruz, e expõem uma selecção de fotografias, que apresentam a diversa perspetiva de cada um dos fotógrafos.
Paralelamente, Valter Vinagre, expõe cinco fotografias – de grande formato – por si selecionadas, do Espectáculo, Europa 39, a partir dos textos Dansen, Quanto custa o ferro? Rascunhos de 1939 e Mies & Meck, de Bertolt Brecht, encenado por Luís Varela e estreado em 2017, na Sala Estúdio do Teatro da Rainha.
A exposição estará patente até ao dia da 7ª sessão de Diga 33, 17 de Julho, sessão de homenagem a Rui Costa, com a presença de André Corrêa de Sá, Margarida Vale de Gato, Cláudia Soto e Vasco David (Editor na Assírio & Alvim).

Entre a Guerra e a Paz.

Quatro fotógrafos, quatro ângulos

São quatro fotógrafos, quatro ângulos, quatro pontos de vista, quatro tipos de condicionamento — quem fotografa da esquerda, quem o faz ao meio da bancada ao alto, quem circula pela frente e quem vai a todas. Distinguimos claros modos de ver, expressos e invisíveis e em cada um vária sensibilidade. O José Serrão na esquerda da sala a ir buscar planos mais fechados, retratos, com a precisão de captar o momento, aquele em que a figura se revela um rosto além da representação. Ou a imagem bloco quando esta fala como uma legenda: guerra, por exemplo; a Lina ao meio da bancada, a sala, a captar mais o todo da cena, como o levantar o lagedo que soterra a paz de A Paz, a Margarida na linha da frente, o pés no chão dos actores, quase em cena, a apanhar o que é próximo com a sua experiência de fotografar teatro, o Manuel Freire a dançar, também com os olhos, a Cibele perdida a compostura no meio da dança endiabrada do coro e o Pedro a meter-se imprevisto dentro, a fotografar o escondido, a Sandra a ver se o escaravelho não vem por ali abaixo, a Teresa Paula mais as suas foices cravadas na cortiça à espera — longa espera neste tempo que é o da cena em que dois minutos são uma vida — de entrar, as magníficas costas do cenário vistas integralmente da ponta oposta do céu de vidro — de plexiglass, aliás — os planos ingenuamente voyeurísticos a partir das frestas, etc, em suma, a vida dos bastidores, distensão, pausa, silêncio, o longe ali tão perto e o pânico concentrado de entrar. Curiosas diferenças que nos fazem pensar que um objecto que vem de 400’s e tal antes de Cristo — e que Cristo não leu, teria fugido dos pregos — permite em 2018 uma multiplicação de soluções na sua concretização cénica que já estavam no texto, na invenção cénica contida, como na semente a árvore que virá. Essa dimensão múltipla e variada a que a encenação tentou dar parto, de uma qualidade dos feitos de dia a dia, de Trigeu e sócios, para desenterrar a Paz — imersa nas alegrias de uma cultura gastro-libidinal vitalista, eufórica, dançante, com a evocação constante do que os doces tempos da Paz potenciavam antes da guerra— com a colaboração interessada de Hermes, os fotógrafos, os quatro, converteram num horizonte de variações do que a vida contém de expansivo, quando o regressivo e opressivo, que são ambientes gerais também, são superados — a festa não é uma indústria mas um acontecimento comunitário, sinal de que os vínculos de boa “vizinhança” existem, mesmo que também soterrados. Abaixo os muros, os culturais e os opressivos de todos os tipos.

fernando mora ramos

  • DATA19 de Junho de 2018
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