Slider Image
Slider Image
Slider Image
Slider Image
Slider Image
Slider Image
Slider Image
Slider Image
  • DATA27 e 28 de Março e 5, 6, 12 e 13 de Abril de 2013
  • HORÁRIO21:30
  • MORADASala Estúdio do Teatro da Rainha | Rua Vitorino Fróis - junto à Biblioteca Municipal - Largo da Universidade | Edifício 2 | 2504-911 Caldas da Rainha

Ficha Artística

Seleção de poemas e versão cénica | José Carlos Faria
Música | Carlos Alberto Augusto
Iluminação | Carina galante
Interpretação | Carlos Borges e José Carlos Faria

Fábula
Ficheiro em PDF
Tábuas dos Poetas
Ficheiro em PDF
Ver Programa
Ficheiro em PDF

Poesia Erótica - Satírica de Lìngua Portuguesa

Vamos directos ao assunto que, preliminares, aqui, são para eliminar.
O poeta Alexandre O’Neill punha a coisa assim:

Moral
Você tem-me cavalgado
Seu safado.
Você tem-me cavalgado
Mas não me pôs
A pensar como você.
Que uma coisa pensa o cavalo,
Outra quem está a montá-lo.

É que essa Moral dominante, megera marimacho com beatíficos véus a esconder a «lingerie» canalha de faca na liga, continuamente lançou a mão coçante de recônditas partes baixas para saudar as aparências vistosas da circunspecta respeitabilidade burguesa (e senhorial, noutros tempos que já lá vão entre as brumas da memória, e que alguns anseiam a despontar, encoberta, por manhãs de nevoeiro, quem sabe…).
Vícios privados/públicas virtudes, era o que era e ainda é!…
Aos poetas, então, aves raras de altos ventos, sempre foi patente a gana mais ou menos disfarçada (quando não à força bruta) para lhes arrancar as penas (trocando-as pelas de prisão, da indigência forçada; e não foi caso único), de lhes cortar as asas e lhes fechar o bico de cantar Liberdade (do corpo e a outra, que afinal é uma só, a mesma, única; quem a tem chama-lhe sua e até santa. Nossa, de cada dia, deveria ser…)
Vai daí, e para ficarmos apenas pelas misérias da lusa grei (aparte: sim, porque na estranja, no «lá fora» hoje tão badalado, os podres e iracundos poderes da pudicícia bacoca, em boa verdade de condição mansa e tolerante tiveram pouco, pouquíssimo, perante a qualidade de escrita clara e desassombrada cuja ousadia transgressora desmascarava a doblez dos bons costumes de sonsos refalsados. François Villon e o senhor Sade, Marquês de, que o digam; é um exemplo, ou antes, dois, entre muitos. Adiante…), para nos quedarmos, dizia, tão só pelas piolhices pátrias, o Bocage no «Auto-Retrato» em que se apresenta «magro, carão moreno» e tal, acabou nas selectas literárias «mais pachorrento» quando, em seu manuscrito, estava «cagando ao vento». Ao Luiz Vaz, censuraram-lhe o episódio da «Ilha dos Amores» (impúdico e pagão, credo!) para assim se dividir, em catadupa, as orações nos «Lusíadas» sem quaisquer embaraços.
E por aí fora (e até antes), cortando, adulterando, silenciando num Index perverso de inquisições, perseguições e proibições; livrai-nos do Mal, Amen…
Nestes aranzéis e linguados, os enquadramentos e citaçõezinhas da praxe calham sempre bem porque conferem uma certa caução erudita e quê. Ora cá vai:
Natália Correia, em 1965, na (apreendida) «Antologia de Poesia Erótica e Satírica», que tinha coligido (e que a levou à condenação em Tribunal, na companhia do editor e outros colaboradores) falava de resgatar e «exumar do cemitério das obras malditas grande parte das poesias» que constituíam o corpo daquela compilação – Malditas, porventura, mas não mal escritas (e, espera-se agora que não mal ditas).